
RELAÇÃO DE SIMPÓSIOS TEMÁTICOS
Simpósio Temático 1:
Histórias, Mídias, Artes e Interseccionalidade
na Amazônia (Sécs XIX, XX e XXI)
Proponentes:
Bernard Arthur Silva da Silva (UNIFESSPA / Doutor)
Rafael Elias de Queiróz Ferreira (SEDUC – PA / Doutor)
Lucas de Souza Maximim (Mestre/ UFPA)
A proposta deste Simpósio Temático, visa contemplar análises sobre as questões de gênero, sexualidade, raça, classe e neoconservadorismo, presentes nos aspectos das dimensões artísticas das produções culturais dos estados da Amazônia (Sécs. XIX, XX e XXI). Estaremos abertos a enfoques históricos que, valorizem a interdisciplinaridade (BURKE, 1991; REIS, 2000), dialogando com diferentes áreas e campos da História e, também, outras ciências humanas. Histórias Sociais da Música (HOBSBAWM, 1995, 1989), do Cinema (NAPOLITANO, 2010; VALIM, 2006), da Literatura (CAMILOTTI; NAXARA, 2009), História Social (BURKE; BRIGGS, 2016) e Crítica das Mídias (VAN DIJCK, 2013, 2007), História Cultural da Fotografia (MAUAD, 2016), são alguns desses campos que, conversam com a Geografia, Antropologia, Sociologia, Filosofia e Comunicação. Junto a isso, por conta dos vários marcadores sociais que impactam as vidas das pessoas, provocando opressões e resultando em desigualdades de gênero, classistas e raciais, acataremos pesquisas adeptas da interseccionalidade (CRENSHAW, 2002; COLLINS; BILGE, 2016), importante teoria social, em grande medida, originada no seio do feminismo negro e, dos estudos de relações raciais e afrodiaspóricos (ALMEIDA, 2020; CARDOSO, 2014; GILROY, 1993; HALL, 2003; MUNANGA, 1999, 2020). Seu eixo de atenção está em entender como as experiências presentes nas dimensões artísticas das produções culturais da Amazônia, ao longo dos sécs. XIX, XX e XXI, contribuem para as construções dos espaços de materializações das culturas musicais, cinematográficas, fotográficas, literárias e midiáticas nos tecidos urbanos amazônicos. As investigações e compreensões dessas ações compartilhadas nas sociabilidades desenvolvidas em logradouros que hospedaram eventos musicais, cinematográficos, fotográficos, literários e midiáticos, são fundamentais para esclarecer as construções históricas contemporâneas desses mundos artísticos. Além disso, podem explicar as identidades dos participantes dessas culturas que, moldam esses mundos, sempre em relação a alguma alteridade. Nesse sentido, o Simpósio Temático, a fim de estimular o debate acerca dos mundos artísticos presentes nas cidades amazônicas, ao longo dos séculos XIX, XX e XXI, contemplará trabalhos de pesquisas com fontes orais, escritas e audiovisuais que desenvolvem temáticas afinadas com produção, difusão e consumo musical; plataformas digitais e música; redes sociais e música; estudos de gênero e música; contextos festivos, de sociabilidade e de lazer; mercado de entretenimento e empreendimentos fonográficos; escritos de intelectuais e produções artísticas em torno da música popular e folclórica; políticas culturais e o mundo da canção popular; formação musical e crenças religiosas; música e fronteira; neoconservadorismo e música; cinema feito na Amazônia; análises de filmes sobre a Amazônia; história social do cinema na Amazônia; cinema, gênero, raça e classe; neoconservadorismo e cinema; história cultural da fotografia na Amazônia; analises de acervos fotográficos; fotografia, gênero, raça e classe; neoconservadorismo e fotografia; história social da Literatura na Amazônia; análises de obras literárias; usos de obras literárias como fontes históricas; obras literárias, gênero, raça e classe; neoconservadorismo e obras literárias; usos de diferentes mídias para realizar análises históricas; usos de acervos digitais; mídias, gênero, raça, classe; neoconservadorismo, história e plataformas digitais; música e ensino de história; cinema e ensino de história; fotografia e ensino de história; literatura e ensino de história; mídias e ensino de história.
Simpósio Temático 2:
Ensino de História e Relações Étnico-raciais
Proponentes:
Raimunda Conceição Sodré (IFPA/ Doutora)
Marley Antonia Silva da Silva (IFPA/Doutora)
Mais de duas décadas após a promulgação da Lei 10.639/03 — e suas alterações pela Lei 11.645/08 —, o cenário educacional brasileiro tem passado por transformações significativas. Diversas iniciativas, pesquisas e debates têm sido mobilizados para efetivar as diretrizes dessas legislações, promovendo mudanças nos currículos da educação básica e do ensino superior. Esse processo fomentou um amplo acúmulo de conhecimentos, refletido em práticas docentes, publicações, ações de extensão, relatos de experiência e premiações. Nesse sentido, este simpósio temático tem como objetivo reunir pesquisadores(as), professores(as), estudantes e demais interessados(as) na promoção de práticas antirracistas e decoloniais, visando descolonizar currículos, discursos e práticas pedagógicas. Serão bem-vindas propostas que abordem: a implementação e o alcance das leis antirracistas nos espaços escolares; projetos emancipatórios em diferentes contextos educativos; histórias, memórias e narrativas de sujeitos afrodiaspóricos e indígenas; a produção e circulação de saberes a partir de epistemologias não ocidentais; e a análise ou produção de materiais didáticos e práticas culturais. Ressaltamos que este espaço de debate se vincula ao Grupo de Trabalho Nacional Emancipações e Pós-abolição (GTEP/ANPUH-BR).
Simpósio Temático 3:
História Econômica da Amazônia
Proponentes:
Rafael Chambouleyron (UFPA/ Doutor)
Eduardo José Monteiro da Costa (UFPA/Doutor)
O Simpósio Temático História Econômica da Amazônia propõe constituir um espaço de apresentação, debate e articulação de pesquisas voltadas à compreensão histórica dos processos econômicos que moldaram a região amazônica em diferentes temporalidades. O ST acolherá trabalhos sobre formação colonial, redes mercantis, trabalho indígena e africano, drogas do sertão, economia da borracha, mineração, agropecuária, industrialização, urbanização, políticas de integração nacional, planejamento regional, grandes projetos, conflitos socioambientais, instituições, mercados, circulação de mercadorias, finanças públicas, infraestrutura, fronteiras e dinâmicas de desenvolvimento e subdesenvolvimento. A proposta parte do reconhecimento de que a história econômica da Amazônia constitui campo decisivo para interpretar as relações entre território, Estado, natureza, trabalho, poder e acumulação. Interessa, portanto, reunir investigações que dialoguem com fontes históricas diversas, métodos quantitativos e qualitativos, abordagens institucionais, sociais, políticas, culturais e ambientais da vida econômica regional. Pretende-se, igualmente, fortalecer a interlocução entre pesquisadores, docentes, estudantes de graduação e pós-graduação, grupos de pesquisa e instituições acadêmicas interessados na formação econômica amazônica. Ao criar esse espaço de integração, o simpósio busca contribuir para a consolidação de uma agenda de pesquisa capaz de ultrapassar leituras fragmentadas da região, valorizando comparações, novas fontes, interpretações críticas e diálogos interdisciplinares sobre a Amazônia brasileira e pan-amazônica.
Simpósio Temático 4:
História Agrária: Amazônias, Meio Ambiente e Tecnologias
Proponentes:
Alan Dutra Cardoso (UNIFESSPA/Doutor)
Ana Luisa Santos Rocha (UFPA / Doutora)
O Simpósio Temático propõe reunir pesquisas dedicadas às múltiplas relações entre terra, natureza, propriedade, conflitos, formas de ocupação territorial e produção de conhecimentos nas diferentes Amazônias. Ao partir das mais recentes discussões no âmbito da História Agrária, o ST defende que os estudos sobre o mundo rural extrapolam as abordagens clássicas sobre a agricultura e a estrutura fundiária, ao incorporar contribuições de outras áreas das ciências humanas e sociais, especialmente do Direito. Em um contexto marcado pelas mudanças climáticas, pela intensificação dos conflitos socioambientais, pelo avanço de novas fronteiras econômicas e pelas transformações tecnológicas em curso, torna-se fundamental historicizar as disputas em torno da terra, das águas, das florestas e dos denominados bens comuns. O simpósio acolhe, desta forma, pesquisas sobre as diferentes visões sobre propriedade, posse, territorialidades, direitos coletivos, justiça territorial, direitos da natureza, governança ambiental, conflitos fundiários e diferentes formas de pertencimento e uso dos recursos naturais. Pretende estimular, igualmente, reflexões sobre os desafios contemporâneos da produção do conhecimento histórico, ao favorecer pesquisas comprometidas com a renovação das agendas historiográficas e com o diálogo entre diferentes tradições disciplinares. Interessa, sobretudo, acolher trabalhos que proponham interpretações inovadoras sobre as Amazônias, em perspectiva transversal e comparada, contribuindo para ampliar a presença da produção acadêmica regional nos debates contemporâneos e fortalecer interlocuções entre a História e outros campos das ciências humanas e sociais, especialmente diante das questões relacionadas aos direitos humanos e não humanos, aos
bens comuns e às múltiplas formas de pertencimento e uso da natureza. Mais do que compreender a Amazônia como objeto de investigação, o ST busca afirmá-la como espaço de produção de conhecimento, de construção de agendas científicas inovadoras e de elaboração de respostas históricas aos desafios impostos pela crise ambiental e pelas disputas contemporâneas em torno dos direitos humanos e não humanos.
Simpósio Temático 5:
Ensino de História, Memória, Imagens e Literatura:
Narrativas, Representações e Práticas Educativas na
Construção do Conhecimento Histórico
Proponentes:
Raimundo Nonato de Castro (IFPA/Doutor)
Leonardo Castro Novo (SEDUC -PA /Mestre)
O Simpósio Temático propõe reunir pesquisadores, docentes, estudantes e profissionais interessados nas múltiplas relações entre ensino de História, memória, imagens e literatura, compreendendo essas dimensões como elementos fundamentais para a produção, circulação e apropriação do conhecimento histórico. Buscase fomentar reflexões acerca das potencialidades teóricas, metodológicas e pedagógicas das diversas linguagens e suportes documentais utilizados na pesquisa histórica e nas práticas educativas contemporâneas. Serão acolhidos trabalhos que abordem o uso de fontes visuais, iconográficas e audiovisuais, literatura, narrativas autobiográficas, história oral, patrimônio cultural, memórias coletivas, cultura escrita, histórias em quadrinhos, caricaturas, imprensa ilustrada, cinema, fotografia e demais expressões culturais que contribuam para a compreensão das relações entre memória, representação e ensino. Também serão incentivadas discussões sobre educação histórica, formação docente, produção de materiais didáticos, história pública, espaços não formais de ensino e experiências pedagógicas voltadas à valorização da diversidade social, cultural e histórica. Justificativa: As profundas transformações ocorridas no campo historiográfico ao longo do século XX e início do século XXI ampliaram significativamente as possibilidades de investigação histórica, promovendo o diálogo entre a História e outras áreas do conhecimento, como a Literatura, a Antropologia, a Sociologia, a Educação, os Estudos Culturais e a Comunicação. Nesse contexto, consolidou-se a compreensão de que o conhecimento histórico não é produzido exclusivamente a partir de documentos oficiais ou registros escritos tradicionais, mas também por meio de diferentes linguagens, representações e formas de construção da memória social. A chamada renovação historiográfica, impulsionada por movimentos como a História Cultural, a Nova História, a História das Sensibilidades e a História Pública, contribuiu para ampliar o repertório de fontes utilizadas pelos historiadores. Fotografias, pinturas, caricaturas, filmes, narrativas literárias, memórias individuais e coletivas, depoimentos orais, periódicos ilustrados, objetos culturais e manifestações artísticas passaram a ser compreendidos como documentos capazes de revelar aspectos fundamentais das sociedades em diferentes tempos e espaços. Essas transformações também impactaram diretamente o campo do Ensino de História, que passou a incorporar novas metodologias e estratégias pedagógicas voltadas à formação crítica dos estudantes. Na contemporaneidade, marcada pela intensa circulação de imagens, informações e narrativas em múltiplas plataformas digitais, torna-se cada vez mais necessário refletir sobre os modos pelos quais o passado é representado, interpretado e apropriado socialmente. A escola e os demais espaços educativos enfrentam o desafio de dialogar com sujeitos que constroem suas percepções históricas por meio de diferentes linguagens e experiências culturais. Nesse cenário, o ensino de História assume papel fundamental na formação de cidadãos capazes de compreender criticamente as representações do passado presentes no cotidiano. A memória ocupa lugar central nesse debate. Entendida não como simples reprodução do passado, mas como uma construção social, cultural e política, a memória constitui um importante campo de disputas simbólicas. Ela envolve processos de seleção, esquecimento, silenciamento e valorização de determinados acontecimentos, personagens e grupos sociais. Estudar a memória significa compreender as formas pelas quais diferentes coletividades elaboram sentidos sobre suas experiências históricas e constroem identidades individuais e coletivas. Autores como Maurice Halbwachs, Pierre Nora e Michael Pollak demonstraram a relevância dos estudos da memória para a compreensão das sociedades contemporâneas. Suas contribuições permitem problematizar as relações entre lembrança e esquecimento, identidade e poder, bem como os usos políticos do passado nos diferentes contextos históricos. Paralelamente, a literatura tem se consolidado como importante objeto e fonte para a pesquisa e o ensino de História. As obras literárias oferecem possibilidades singulares para compreender imaginários sociais, representações culturais, sensibilidades, conflitos e experiências históricas. Mais do que simples reflexos da realidade, os textos literários constituem produções sociais que dialogam com seu tempo, expressando visões de mundo, tensões políticas e interpretações sobre a experiência humana. O diálogo entre História e Literatura permite ampliar as formas de compreensão do passado e estimular práticas pedagógicas mais dinâmicas e reflexivas. Romances, contos, crônicas, poemas, autobiografias e relatos de viagem podem ser utilizados como instrumentos para discutir contextos históricos, relações de poder, identidades culturais e processos sociais. Além disso, contribuem para o desenvolvimento da leitura crítica e para a formação da sensibilidade histórica dos estudantes. As imagens também assumem papel fundamental na construção do conhecimento histórico. Vivemos em uma sociedade profundamente marcada pela cultura visual, na qual fotografias, vídeos, ilustrações, memes, produções cinematográficas e conteúdos digitais influenciam a forma como percebemos o mundo e interpretamos o passado. Nesse sentido, a análise crítica das imagens torna-se uma competência essencial para a educação histórica contemporânea. Durante muito tempo, as imagens foram utilizadas no ensino apenas como recursos ilustrativos. Contudo, os avanços teóricos promovidos por pesquisadores da História Cultural e da Cultura Visual demonstraram que elas devem ser compreendidas como documentos históricos complexos, capazes de expressar valores, ideologias, relações de poder, representações sociais e disputas simbólicas. Fotografias, caricaturas, charges, pinturas, gravuras e produções audiovisuais constituem importantes fontes para a investigação histórica e para a elaboração de práticas educativas inovadoras. No contexto brasileiro, essas discussões tornam-se ainda mais relevantes diante da necessidade de construir narrativas históricas plurais e inclusivas, capazes de contemplar a diversidade étnica, cultural, regional e social que caracteriza o país. O ensino de História é chamado a promover reflexões sobre as experiências de povos indígenas, populações afro-brasileiras, mulheres, trabalhadores, migrantes e demais grupos historicamente invisibilizados pelos discursos oficiais. Ao mesmo tempo, observa-se um crescente interesse pelas relações entre História, patrimônio cultural, memória social e espaços não formais de educação. Museus, arquivos, bibliotecas, centros culturais, monumentos, comunidades tradicionais e ambientes virtuais configuram-se como importantes espaços de produção e circulação de conhecimentos históricos. Nesses contextos, imagens, memórias e narrativas literárias desempenham papel significativo na mediação entre passado e presente. Diante desse panorama, este Simpósio Temático busca constituir um espaço de diálogo interdisciplinar entre pesquisadores e educadores interessados em compreender as potencialidades da memória, das imagens e da literatura para a pesquisa histórica e para o ensino. Pretende-se incentivar o intercâmbio de experiências, metodologias e reflexões que contribuam para o fortalecimento da educação histórica e para a democratização do conhecimento produzido nas universidades e instituições de ensino. Além disso, o simpósio visa estimular debates sobre práticas pedagógicas inovadoras, formação docente, produção de materiais didáticos, ensino em espaços não formais, história pública, cultura visual, patrimônio cultural e usos sociais do passado. Busca-se, assim, fortalecer investigações comprometidas com a construção de uma História plural, crítica e socialmente relevante, capaz de dialogar com os desafios contemporâneos e contribuir para a formação de sujeitos conscientes de seu papel na sociedade. Por fim, entende-se que a articulação entre ensino de História, memória, imagens e literatura oferece caminhos promissores para a construção de aprendizagens significativas, para o desenvolvimento da consciência histórica e para a valorização das múltiplas experiências humanas que constituem a riqueza da trajetória histórica das sociedades.
Simpósio Temático 6:
Histórias das religiões: Igrejas, crenças e instituições
Proponentes:
Ipojucan Dias Campos (UFPA, UEPA/Doutor)
Anderson Clayton Fonseca Tavares (UFPA / Doutorando)
Ivo Pereira da Silva (UFPA / Doutor)
As histórias das religiões e religiosidades da/na Pan-Amazônia são testemunhos de instigantes experiências e vivências de suas diversificadas crenças, são centros de contumazes continuidades/rupturas históricas a tensionar coletividades e indivíduo em suas múltiplas escalas e recortes. De mais a mais, cada sujeito social sente, vive, vivencia, incorpora para si, de forma absolutamente multifacetada, quer as religiões, quer as religiosidades, quer os sentimentos em face às entidades ditas superiores. As religiões, as religiosidades e as crenças, nas suas sortidas perspectivas, constituem em elástico sentir o tempo em que o eterno irrompe na temporalidade a ampliadas pessoas; isto é, em muitas direções são os lugares nos quais se autotranscende o ato de existir na crença. Se por uma perspectiva, aqueles substantivos “nunca” são alojados na faculdade tangencial; por outra, eles jamais devem ser pensados na qualidade de linhas progressivas ou de progressos contínuos esteados no desenvolvimento, porquanto homens/mulheres no seio das suas crenças eram “surpreendidos” por recaídas e que destas não se excluam o total fracasso”. No entanto, entre o “encontro” e o “desencontro” todos estão/estiveram, será que estarão? pautados em marcos sustentados na esperança alimentada pelos credos de cada qual, entretanto, o aspecto definidor na sua amplitude, firma-se na busca de resoluções definitivas.
Simpósio Temático 7:
DITADURA E JOGO DE ESCALAS: O REGIME MILITAR
NOS INTERIORES DA AMAZÔNIA (1964-1985)
Proponentes:
Filipe Menezes Soares (UFPA / Doutor)
Osimar da Silva Barros (IFPA / Doutor)
O simpósio pretende reunir iniciativas de pesquisa que versem sobre a ditadura militar, estando o regime ambientado em espaços distantes dos grandes centros e capitais do país. Um entendimento aglutinador é a percepção de que a região amazônica e seus interiores exercem um impacto na gestão militar do período, um território a ser incorporado em gestão política centralizada e autoritária. Nota-se, portanto, que a condição periférica dos interiores não corresponde a uma atitude passiva desses locais frente às dinâmicas políticas nacionais. Por outro lado, esses recortes constituem lugares de discursos e práticas diversas, algo que vem moldar uma cultura política local em consonância com as dinâmicas nacionais e até internacionais. A reunião de trabalhos voltados para os interiores da Amazônia é mais um passo para a consolidação de uma nova tendência da historiografia brasileira sobre o período da ditadura militar. Destacar o amazônico nos estudos da ditadura é também ter amadurecido o entendimento de que o regime militar reacende o debate de uma herança colonialista na região. Serão congregadas, portanto, experiências de pesquisa diversas, sejam suas prioridades sociais, econômicas, políticas ou culturais. Entre as discussões, destaca-se o estabelecimento de uma cultura política nacionalista e autoritária em que se assenta a relação entre governantes e governados no Brasil dos anos compreendidos entre 1964 e 1985. Em complementaridade, serão apontados e denunciados possíveis casos de resistência ao autoritarismo da época, espalhados na vastidão do território nacional. Realçar essas resistências e denunciar sua repressão é um compromisso do simpósio, o que fortalece os debates atuais de justiça e reparação. História e memória, teoria e metodologia voltadas à produção historiográfica do período, fontes e arquivos que possibilitam a abordagem da ditadura desde os interiores do Pará e da Amazônia são outros fatores que vem engrandecer o debate proposto no simpósio.
Simpósio Temático 8:
Cinema Amazônico e Tecnologias Digitais: Representações
Ambientais como Prática Historiográfica Contracolonial
Proponente:
Irlanna Dias Ramos (UFPA/Mestra)
Este simpósio temático investiga como cinemas produzidos por populações historicamente marginalizadas na Amazônia constroem narrativas históricas sobre o meio ambiente, compreendendo o audiovisual como prática historiográfica contracolonial. Frente às lacunas bibliográficas sobre o cinema negro na região, por exemplo, propõe-se analisar as representações ambientais dessa filmografia a partir dos conceitos de Antônio Bispo dos Santos (2019; 2023) sobre resistência epistêmica e culturas biointerativas, que afirmam a integração entre humano e natureza em contraposição à lógica colonial de separação entre os seres e o território. Achille Mbembe (2014) fundamenta essa perspectiva ao discutir, em sua Crítica da Razão Negra, como a lógica colonial subalternizou saberes africanos e afro-diaspóricos, atribuindo-lhes um lugar de não-humanidade – processo que o cinema negro amazônico contesta ao propor outras epistemologias sobre o território e o meio ambiente. A escrevivência de Conceição Evaristo (2020) e o "olhar opositor" de bell hooks (2019) permitem compreender como cineastas negros e negras deslocam o sujeito negro da posição de objeto para a de agente da própria representação, enquanto Beatriz Nascimento (2006; 2021; 2022) fundamenta a autorrepresentação negra como prática historiográfica legítima. Nesse contexto, as tecnologias digitais emergem como eixo estruturante da pesquisa: o acesso a celulares e equipamentos de baixo custo tem permitido que profissionais do cinema amazônico historicamente alijados dos circuitos de financiamento cultural, produzam, arquivem e divulguem suas filmografias, democratizando a produção historiográfica afro-amazônica. O simpósio articula os eixos História e Amazônia; Meio Ambiente; Tecnologias Digitais; e Ensino, propondo o cinema negro amazônico como documento histórico, prática epistêmica contracolonial e recurso pedagógico para a história afro-amazônica.
Simpósio Temático 9:
O(A) Negro(a) na Amazônia: Escravidão,
Liberdade, Pós-Abolição e História Pública
Proponentes:
José Maia Bezerra Neto (UFPA/Doutor)
Diego Pereira Santos (UEPA /Doutor)
Victor Hugo Modesto (UFPA/Mestre)
A historiografia sobre a escravidão e o pós-abolição tem produzido importantes avanços nas últimas décadas, revelando a centralidade das populações negras na formação histórica, social, econômica e cultural da Amazônia. Ao mesmo tempo, as discussões no campo da História Pública têm ampliado as possibilidades de produção, circulação e compartilhamento do conhecimento histórico, evidenciando o papel das memórias, dos patrimônios e das demandas sociais na construção das narrativas sobre o passado. Nesse contexto, este Simpósio Temático propõe reunir pesquisas que investiguem as múltiplas experiências dos negros e negras na Amazônia, seja no contexto de escravidão, nas lutas sociais e nos processos de liberdade, nos mundos do trabalho, nas vivências e no cotidiano, em diferentes temporalidades e espaços. Serão acolhidos trabalhos que abordem temas como escravidão, tráfico de africanos e africanas, trabalho compulsório, alforrias, abolicionismos, famílias negras, escravidão e gênero, pós-abolição, racialização, associativismos, territorialidades negras, comunidades quilombolas, culturas afro-amazônicas, patrimônio cultural, memória social, história oral, ensino de história, arquivos, museus, acervos comunitários e demais iniciativas voltadas à preservação e divulgação das experiências históricas das populações negras. O simpósio também busca fomentar reflexões sobre os usos públicos do passado, as disputas em torno da memória, os processos de patrimonialização e as formas pelas quais diferentes sujeitos e coletivos produzem, reivindicam e compartilham narrativas sobre suas trajetórias históricas. O Simpósio acolhe trabalhos de outros espaços que não o amazônico, desde que atentos aos diálogos com a historiografia amazônica a partir das temáticas elencadas.
Simpósio Temático 10:
História, Amazônia e Educação Histórica: territórios, memórias,
meio ambiente, tecnologias e práticas de ensino
Proponente:
Claudimir de Oliveira Espindola (UNIFESSPA / Mestre)
O Simpósio Temático propõe reunir pesquisas, experiências pedagógicas e reflexões teórico-metodológicas que articulem História, Amazônia e educação histórica, considerando a pluralidade de territórios, sujeitos, memórias, conflitos, saberes e linguagens que atravessam o ensino de História. A proposta amplia o debate para além de um único recorte escolar, acolhendo investigações desenvolvidas em escolas urbanas, rurais, do campo, ribeirinhas, indígenas, quilombolas, periféricas, turmas multisseriadas, sistemas modulares, educação básica, formação docente e espaços não escolares de produção do conhecimento histórico. Serão bem-vindos trabalhos que discutam currículo, BNCC, materiais didáticos, história local e regional, história pública, patrimônio, oralidades, narrativas digitais, cultura visual, fontes históricas em sala de aula, avaliação da aprendizagem, educação patrimonial, história ambiental, tecnologias digitais, metodologias ativas e práticas de letramento histórico. Interessa compreender como professores, estudantes e comunidades produzem sentidos sobre o passado em diálogo com questões do presente, como meio ambiente, migrações, trabalho, conflitos pela terra, identidades, desigualdades, territorialidades e disputas de memória. O simpósio pretende constituir um espaço de interlocução entre universidade, escola básica, movimentos sociais, instituições de memória e comunidades, favorecendo a socialização de pesquisas concluídas ou em andamento, relatos de experiência e produtos educacionais. Busca-se, assim, fortalecer uma concepção de ensino de História comprometida com a formação crítica, com a consciência histórica e com a valorização das múltiplas Amazônias.
Simpósio Temático 11:
Futuros em disputa: literatura, história
e os imaginários do porvir
Proponente:
Alexandro Neundorf (UFPA/Doutor)
Em um tempo marcado por incertezas globais, crises climáticas e reconfigurações políticas, a reflexão sobre o futuro tornou-se um campo de disputa central nas humanidades. Este ST propõe investigar as múltiplas elaborações do futuro no diálogo entre História e Literatura, compreendendo o porvir não como objeto de previsão, mas como categoria histórica legítima (acessível por meio do estudo das expectativas, dos medos, dos desejos e dos projetos que diferentes sociedades construíram em seus contextos específicos). A literatura, em suas múltiplas formas (como nos romances, contos, poemas, canções, peças teatrais, roteiros de audiovisual), aparece como lugar privilegiado para essa investigação, funcionando como laboratório do imaginário social no qual se projetam tensões políticas, ansiedades coletivas, utopias reformadoras e distopias regressivas. Seguindo a proposição de Ivan Jablonka, a literatura não é mera ilustração da história, mas uma "literatura-verdade" dotada de aptidão histórica e sociológica, capaz de produzir conhecimento sobre o tempo e suas crises. Ao contrário de abordagens que reduzem a ficção a ornamento cultural, os romances, contos e poemas funcionam como laboratórios do imaginário social ou diagnósticos do presente que projetam futuros possíveis. O simpósio acolhe pesquisas sobre utopias e projetos de futuro; distopias, catástrofes e os chamados "imaginários do colapso"; temporalidades históricas e regimes de historicidade (Koselleck, Hartog); expectativas e crises do tempo; a dissonância, o aberrante e o horror como formas de imaginação política e social. Ao reunir pesquisadores de diferentes níveis de formação, o ST busca contribuir para o debate sobre como as sociedades - passadas e presentes - conceberam o tempo vindouro, disputaram sentidos de progresso ou decadência e desenvolveram respostas simbólicas às crises, fortalecendo a compreensão histórica do futuro como um campo de luta e de possibilidade.
Simpósio Temático 12:
Luta pela terra, por moradia
e preservação do meio ambiente
Proponente:
Elias Diniz Sacramento (Doutor)
A proposta do ST é proporcionar um debate acerca destes temas tão presentes atualmente. Faremos uma abordagem principal dos trabalhos de pesquisa concluídos ou em andamento que versem sobre esses eixos no sentido de observamos como o debate acadêmico tem acompanhado essas questões que são uma realidade, sobretudo na Amazonia. É de fundamental importância na proposição da proposta do ST dialogar com pesquisadores do passado e do presente.
Simpósio Temático 13:
Olhares sobre a Amazônia dos séculos XVII-XIX:
Ensino e Pesquisa em perspectiva
Proponentes:
João Antônio Fonseca Lacerda Lima (UEPA / Doutor)
Raimundo Moreira das Neves Neto (IFPA / Doutor)
O Simpósio Temático se propõe a discutir a Amazônia colonial através da relação entre os indivíduos que nela atuaram, em especial indígenas e colonos, em um cenário onde o processo de colonização se impunha em meio a conceções e resistências, hoje atestadas pelo vasto repertório documental presente nos arquivos. Essa temática tem ganhado fôlego na produção historiográfica dos últimos anos, superando a equivocada visão de “região periférica” em relação ao seu congênere Estado do Brasil. Além disso, pretendemos discutir sua presença nos currículos da Educação Básica, central para uma educação histórica ampla que supere estereótipos e desigualdades regionais no Brasil. Tendo os rios, as florestas e as gentes da amazônia como vetor de reflexão, pretendemos pensar a relação entre o espaço e os indivíduos que formavam a lógica do estabelecimento deste território. Ao longo dos séculos XVII-XIX, essa região foi alvo de diversas políticas metropolitanas, contudo, a vida dos agentes que formavam esse mundo colonial por vezes não se dava conforme esses ditames. Nossa intenção é refletir sobre as dinâmicas, internas e externas, que engendraram o processo de ocupação e edificação desses territórios, sobretudo em se tratando do “Estado do Maranhão e Grão-Pará” (eventualmente denominado de Grão-Pará e Maranhão). Desta forma, neste simpósio, abordaremos essa política de colonização do espaço e dos corpos a partir dos diferentes prismas que ela engendrava. Visamos traçar uma discussão que não trate apenas de examinar as ações da Coroa e das autoridades coloniais, discutindo igualmente o protagonismo dos diversos grupos que fizeram parte do complexo processo de colonização, como indígenas, africanos, mestiços, portugueses de diversos estratos sociais e outros europeus.
Simpósio Temático 14:
História e imprensa:
práticas de ensino e pesquisa na Amazônia
Proponentes:
Alan Christian de Souza Santos (IFPA / Doutor)
Raimundo Nonato da Silva (IFPA/Mestre)
A proposta deste simpósio temático é reunir pesquisadores, professores e estudantes interessados nas múltiplas possibilidades de análise da imprensa, especialmente dos jornais, como objeto de investigação histórica, fonte documental e recurso pedagógico para o ensino de História. Nas últimas décadas, a imprensa tem ocupado posição de destaque na produção historiográfica, consolidando-se como importante campo de investigação e como fonte privilegiada para o estudo das sociedades em diferentes temporalidades. O crescimento vertiginoso dos acervos virtuais e da relação que estabelecemos com as mídias digitais tem favorecido esse lugar de proeminência dos documentos periódicos. Dessa forma, o objetivo da seção é promover um espaço de diálogo entre estudiosos que desenvolvem pesquisas sobre a imprensa na Amazônia ou que utilizam periódicos como documentação fundamental para a compreensão de processos históricos, sociais, políticos e culturais da região. Além de sua relevância para a pesquisa histórica, a imprensa também tem se mostrado ferramenta valiosa para o desenvolvimento de práticas pedagógicas que estimulam a leitura crítica, a análise documental e a construção do pensamento histórico em sala de aula. Dessa forma, o simpósio busca congregar pesquisadores que se dedicam a essas temáticas, possibilitando a apresentação e a discussão de pesquisas concluídas ou em andamento. Pretende-se, ainda, fomentar reflexões sobre os desafios teórico-metodológicos relacionados ao uso da imprensa, bem como destacar sua contribuição para a ampliação e renovação da historiografia amazônica.
Simpósio Temático 15:
HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO NA AMAZÔNIA (SÉCULOS XIX E XX)
Proponentes:
Franciane Gama Lacerda (UFPA /Doutora)
Jéssica Mesquita Vasconcelos (UFPA/Mestra)
Marcus Vinícius da Rosa Ribeiro (UFPA/Mestre)
Dentre as várias possibilidades de compreensão da Amazônia, a educação é uma área relevante na medida em que articula ações políticas, econômicas e culturais, trazendo à tona o pensamento de variados sujeitos sociais que a compõem e a constituem no cotidiano. A História da Educação configura-se como um campo de diálogo interdisciplinar, mobilizando metodologias, teorias e perspectivas de ambas as áreas para compreender os processos educativos em suas dimensões temporais, sociais e culturais. Diante desse entendimento, este Simpósio tem como objetivo discutir temáticas que estejam inseridas no campo da História da Educação na Amazônia nos séculos XIX e XX. Busca-se construir reflexões a partir de pesquisas que, tendo a história como objeto de análise, abordem temas como: instituições educativas, festas escolares, processos de escolarização, políticas educacionais, intelectuais e suas perspectivas, profissão docente, formação de professores e de estudantes, práticas pedagógicas, cultura escolar, cultura material e arquitetura escolar, disciplinas, currículo, entre outros. O Simpósio recebe trabalhos que contemplem variadas fontes, como legislação, imprensa, documentos oficiais, relatórios, arquivos de instituições, memórias, literatura, fotografias e livros. Pretende-se contribuir para a compreensão de uma história educacional da Amazônia viabilizando debates sobre as relações entre educação, cultura e sociedade nos séculos XIX e XX.
Simpósio Temático16:
Imprensa, Crime e Gênero na Amazônia do século XX
Proponentes:
Alan da Silva Dias (UFPA/Doutorando)
Bárbara Leal Rodrigues (UFF/Doutoranda)
Marcos Bezerra Lima (UFPA/Doutorando)
O presente simpósio visa reunir pesquisadores que dialogam com o mundo da imprensa, dos crimes e/ou pesquisas a partir da perspectiva analítica de gênero, na Amazônia do século XX. As propostas não precisam agrupar simultaneamente os três temas, tornando-se facultado o diálogo a partir de uma dessas temáticas. Desse modo, serão aceitas pesquisas que discutam a imprensa como objeto e/ou como fonte de pesquisa histórica, assim como discussões teóricas e metodológicas sobre o tema. Enfatiza-se o caráter político da imprensa, considerando a atuação da grande imprensa, da imprensa alternativa e outros impressos. Por conseguinte, tendo em vista que na segunda metade do século XX, diferentes linhagens de história social começaram a buscar nos arquivos judiciais e policiais rastros da vida cotidiana de camponeses, artesãos, operários, mulheres e sujeitos escravizados - com as perguntas norteadoras inicialmente focando na interpretação dos fragmentos da experiência social, da chamada "cultura popular" e das vozes que apareciam nessas fontes, sempre mediadas pelas práticas de escrita das autoridades -, buscamos com este ST aglutinar investigações cada vez mais voltadas para a compreensão das agências produtoras desses documentos, tais como a polícia, a prisão e a justiça criminal, reunindo pesquisadores e pesquisadoras que trabalham sobre temas e fontes vinculadas aos mundos da violência, do crime e suas representações, das instituições de segurança e do sistema penal, criando a oportunidade para debater metodologias e resultados de pesquisa. Assim como, pesquisas que partem das análises de gênero, em múltiplas áreas, manifestações e possibilidades interseccionais. Ressalta-se a compreensão da categoria gênero como um modo analítico, elemento intrínseco das relações sociais e significante das relações de poder. Abarcam-se, mas não se limitam, aos estudos das representações, dos sujeitos e das instituições.
Simpósio Temático 17:
A DEMOCRACIA CONTEMPORÂNEA: SENTIDOS, LEGADOS
E DESAFIOS NA HISTÓRIA, DIREITO E CIÊNCIAS AFINS
Proponente:
Carlos Eduardo dos Santos e Santos (Mestre)
Este Simpósio Temático (ST) propõe uma reflexão acerca da Democracia, a partir da História, do Direito e das ciências afins. Procura-se analisar a Democracia a partir dos distintos olhares das ciências humanas e compreender seus legados e desafios atualmente. No século XX, a democracia passou a ser o regime político predominante no globo, encontrando diversas formas de concretude e ao longo do século XX e XXI o Brasil vivencia a Democracia com processos em que se discute a crise democrática recente, o Constitucionalismo, o negacionismo, a ascensão e força da extrema direita no cenário político, eleições, cidadania, políticas públicas; entre outros temas. E na vigência democrática mais longa da história brasileira, a partir da Redemocratização e da Constituição Federal de 1988, lidamos com dois processos de Impeachment (Collor,1992 e Dilma Rousseff, 2016), o fenômeno bolsonarista (2018), o retorno de Lula à presidência em um terceiro mandato (2022), Atos golpistas de 08 de janeiro (2023). E soma-se a isto, as lutas das comunidades tradicionais, minorias, trabalhadores, desenvolvimento econômico, meio ambiente, ensino e novas tecnologias tanto no cenário nacional quanto no Amazônico, o que reforça a necessidade de se discutir a democracia contemporaneamente. Ademais, pretende-se que o Simpósio Temático proporcione uma reflexão acerca dos arcabouços teóricos-metodológicos, a partir da interdisciplinaridade, da História, do Direito, da Ciência Política, da Antropologia e afins, com vista a fomentar o processo crítico-reflexivo acerca da Democracia e de suas distintas particularidades.
Simpósio Temático 18:
REFLEXÕES SOBRE LAZER, SEGURANÇA PÚBLICA E SOCIABILIDADES:
O ESPAÇO AMAZÔNICO EM QUESTÃO
Proponentes:
Itamar Rogério Pereira Gaudencio (IESP/Doutor)
Amilcar de Souza Martins Sobrinho (SEDUC/SEMEC/Doutor)
Anderson Rodrigo Silva (SEDUC/Doutorando)
O simpósio busca refletir e problematizar os conceitos de lazer, cidade e Segurança Pública em sua construção histórico-social destacando o processo de Territorialização que se apresenta nas cidades amazônicas ao longo do século XX e XXI. Este debate possibilita a criação de políticas públicas de segurança relacionadas a dinâmica de memórias, identidades e práticas nas cidades da região e as novas relações socioambientais qualificadas que sinalizam o direito à cidade, à natureza e o desenvolvimento sustentável. Os diálogos suscitados por este simpósio abarcam um campo interdisciplinar, ampliando-se à todos os pesquisadores de ciências humanas, jurídicas e afins que percebem as cidades amazônicas como lócus de reflexões e análises sobre suas constantes transformações urbanas e sociais no mundo contemporâneo.
Simpósio Temático 19:
Ensino de História na Amazônia Paraense: saberes,
narrativas, territorialidades e práticas docentes
Proponentes:
Wellington Rodrigo de Campos (SEMED-Moju-PA/Mestre)
Alex de Andrade Raiol (SEMED-Curralinho-PA/Mestre)
O Simpósio Temático tem como objetivo reunir pesquisas, relatos de experiência, projetos de ensino e extensão que discutam os desafios, as possibilidades e especificidades do Ensino de História na Amazônia Paraense. Busca-se constituir um espaço de diálogo e intercâmbio entre pesquisadores, professores da educação básica, pedagogos, licenciandos e pós-graduandos, ao promover a reflexão e socialização de investigações e práticas educativas desenvolvidas em diferentes contextos amazônicos. Partindo da compreensão de que a escola é um espaço privilegiado de produção, circulação e ressignificação de conhecimentos históricos, o simpósio temático pretende debater os processos pelos quais diferentes sujeitos – educadores, alunos e comunidade escolar – constroem narrativas, memórias e saberes em contextos socioculturais marcados pela diversidade de experiências de populações ribeirinhas, quilombolas, indígenas, camponesas e urbanas. Interessa compreender de que modo conhecimentos acadêmicos, o currículo escolar, os saberes locais, as memórias coletivas e experiências vividas se articulam na constituição do conhecimento histórico escolar. Serão acolhidos trabalhos que abordem práticas pedagógicas, metodologias de ensino, formação docente, currículos, processos avaliativos, materiais didáticos e paradidáticos, cultura escolar, história pública e digital, além de experiências de pesquisa escolar, educação patrimonial e história local e regional. Portanto, ao valorizar as múltiplas territorialidades amazônicas, o simpósio busca evidenciar a diversidade de sujeitos, saberes e experiências que constituem o ensino de História na região, fomentando reflexões sobre práticas docentes comprometidas com a valorização da diversidade cultural, da memória e das identidades presentes na Amazônia Paraense.
Simpósio Temático 20:
Emancipações e Pós-Abolição no Pará: racialização,
cidadania, trajetórias e sociabilidades plurais
Proponentes:
Benedito Emílio da Silva Ribeiro (UFPA/Doutorande)
Janailson Macêdo Luiz (UNIFESSPA/Doutor)
Maria Roseane Corrêa Pinto Lima (UFPA/Doutora).
Este Simpósio Temático, vinculado ao GT Emancipações e Pós-Abolição da ANPUH, tem como objetivo reunir pesquisadoras/es, professoras/es e discentes de graduação e pós-graduação que desejem a aprofundar, compartilhar, refletir e debater suas experiências de pesquisa, ensino e extensão (numa perspectiva de História Pública) sobre a temática, numa proposta ampliada de compreensão sobre as Emancipações e o Pós-abolição na Amazônia. Assim, o ST visa contribuir com a discussão historiográfica voltada às dinâmicas de luta por liberdade, cidadania e direitos em meio ao contexto escravista, destacando aqui o papel e protagonismo de pessoas escravizadas, libertas e livres “de cor” – ou seja, racializadas, fossem elas negras e/ou indígenas – através de suas ações e trajetórias individuais e coletivas, que antecedem a Lei de 13 de maio de 1888. Ao tomar a liberdade como lente de análise, buscamos aprofundar os debates sobre agência negra/africana para além das narrativas da escravidão (Hartman, 2020; 2025) e expandir a cronologia das emancipações formais, potencializando outras investigações que vislumbrem as lutas e negociações por liberdade antes da Lei do Ventre Livre, de 1871. O pós-abolição enquanto conceito, temporalidade e problema histórico (Cooper; Holt; Scott, 2005; Rios; Mattos, 2004) e suas dimensões e desafios para o contexto amazônico, e paraense, é outro campo importante aos debates e reflexões deste ST. Aqui, interessa-nos dimensionar os variados processos locais de organização e mobilização de indivíduos e coletividades negras, inclusive tecendo relações com povos indígenas, diante de uma abolição inacabada que ainda reitera espaços de exclusão e marginalização como marcas dessa sociedade estruturada pelo racismo. Destacamos também as (re)configurações políticas, sociais e culturais estabelecidas no pós-abolição, na Amazônia, focalizando trajetórias, associativismos e sociabilidades plurais em meio a processos de racialização e de luta por cidadania e direitos.
Simpósio Temático 21:
História, Natureza e Ciência
Proponentes:
Wesley Oliveira Kettle (UFPA/Doutor)
Maria Eduarda Goés Barboza da Silva (UFPA/Mestra)
Este simpósio temático busca reunir pesquisadores(as) interessados em investigar as relações entre as sociedades humanas e a natureza ao longo do tempo, com ênfase na região da Amazônia brasileira e internacional, mas também abrangendo outros territórios. A proposta dialoga com os campos da história ambiental e da história das ciências, que têm demonstrado que a natureza atuou como um personagem histórico ativo, que integrou as relações sociais, a produção cultural e científica, as disputas políticas, econômicas e simbólicas desde o período pré-colonial até o tempo presente. Também convidamos as pesquisas voltadas para o ensino de história, considerando o potencial do tema “meio ambiente" como ferramenta pedagógica interessante para a educação básica e patrimonial. Assim como trabalhos em perspectiva interdisciplinar, especialmente com a arqueologia, a antropologia, a geografia, a ecologia histórica e outras áreas que investigam a temática. São bem-vindos os estudos sobre as interações multiespécies entre seres humanos e não-humanos (plantas, animais, minerais, rios, clima, microrganismos, entre outros). O simpósio busca refletir sobre as diferentes representações, usos e agenciamentos da natureza nas fontes textuais, imagéticas, fonográficas, audiovisuais, de cultura material e imaterial, entre outras, buscando compreender como as sociedades humanas urbanas, rurais, povos indígenas, quilombolas e tradicionais interagiram historicamente com o mundo natural. O objetivo da proposta é promover um espaço para acadêmicos com diferentes trajetórias e experiências em docência, pesquisa e extensão, tendo em vista debates que fomentem reflexões sobre o uso de fontes históricas diversificadas, de metodologias críticas para a sua análise, e referenciais teóricos interessantes para o tema.
Simpósio Temático 22:
Educação Histórica e Infâncias na Amazônia: Olhares sobre
o Ensino de História no Ensino Fundamental – Anos iniciais
Proponentes:
Túlio Augusto Pinho de Vasconcelos Chaves (UFPA/Doutor)
Roberto Souza Costa (SEDUC/Mestre)
O presente simpósio visa abranger trabalhos que versem sobre a História ensinada nos anos iniciais do ensino fundamental, buscado perceber as mudanças sentidas nesta etapa nas últimas décadas em especial envolvendo questões como a nova BNCC, Cidadania e Nacionalismos, Educação Inclusiva, Desigualdade de Gênero, Racismo e História Regional e o contexto Pandêmico. Historicamente na experiência Brasileira as series iniciais ficaram a cargo de profissionais do antigo magistério e da Pedagogia, que por questões especificas de formação levam a profundos distanciemos entre novos métodos e práticas debatidas no campo historiográfico para neste nível de ensino. Nos últimos anos, os debates sobre a nova BNCC e as mudanças sofridas nas graduações em História e novas políticas para a Formação de Professores, levaram a maior interação ente a pedagogia e os Métodos específicos do ensino de História, ampliando debates sobre possibilidades de interação entre diferentes campos de conhecimento, educação histórica e aquisição de competências e habilidades especificas nos anos iniciais da educação básica especialmente focadas no letramento e na educação matemática. Chama a atenção também as mudanças causadas na dinâmica de Ensino-Aprendizagem de história no período pandêmico, impactos na saúde mental de discentes e docentes e a possibilidades de novas aprendizagens. Esperamos assim reunir trabalhos que possam refletir sobre mudanças na formação de professores, a práticas docentes nos anos iniciais, bem como as potencialidades interativas entre diferentes áreas de conhecimento na Educação Básica.
Simpósio Temático 23:
Ensino de história e Interseccionalidades:
Gênero, raça, sexualidades e território na Educação
Proponentes:
Caroline Barroso Miranda (IFPA/Mestra)
Miléia Santos Almeida (UESC/Doutora)
Ieda Palheta Moraes (SEDUC-PA/Mestra)
O Simpósio se dispõe a reunir estudos e experiências sobre temas, problemas e objetos relativos à interseccionalidade entre ensino de história, gênero, raça/etnia e sexualidades. Partimos da premissa de que as pesquisas históricas, quando analisadas pelo prisma das relações de gênero, raça e etnia, revelam as assimetrias de poder existentes entre homens e mulheres, sobretudo, nas abordagens acerca de povos racializados e discriminados. Por sua vez, as dinâmicas locais e globais que atravessam tais narrativas, são importantes para a compreensão dos diferentes contextos históricos. Destarte, este simpósio tem como objetivo fomentar o diálogo entre pesquisadoras e pesquisadores que desenvolvem investigações sobre relações de gênero, mulheres, raça, etnia, sexualidade e interseccionalidade, de(s)colonialidade, feminismos negro, indígena e plurais no ensino de História. Além de dialogar e compartilhar experiências educativas vivenciadas no chão da escola, procuraremos refletir sobre os desafios e as possibilidades de uma formação docente crítica, feminista e antirracista, sobretudo, no campo das ciências humanas. Desse modo, buscamos propor um espaço que permita a troca de experiências de pesquisas e/ou projetos desenvolvidos no ambiente escolar, que problematizem essas questões em diferentes territórios, bem como as violências interseccionais desveladas no cotidiano docente e suas táticas de enfrentamento. Serão acolhidos também relatos de experiências, debates, interlocuções e demais discussões que explorem o uso pedagógico de fontes, linguagens, tecnologias e metodologias diversas para a análise das ações de homens e mulheres, tanto no passado quanto na contemporaneidade, sejam elas individuais e/ou coletivas, vivenciadas na Amazônia, no Brasil e/ou em outros países.
Simpósio Temático 24:
Povos indígenas na Amazônia: histórias, políticas e saberes
Proponente:
Vanice Siqueira de Melo (UFOPA/Doutora)
É reconhecido o protagonismo dos povos indígenas na contemporaneidade. Esse fato manifesta-se na atuação política desses povos com o objetivo de garantir, junto ao Estado, direitos como educação, saúde e demarcação territorial. Tal protagonismo indígena, somado às transformações teóricas e metodológicas na História, promoveu o aparecimento de novas perspectivas relacionadas às trajetórias desses povos, as quais, na historiografia, foram agrupadas no campo da História Indígena e do Indigenismo. Trata-se, assim, de reflexões que também contemplam diversas temporalidades e que, não raro, são construídas por meio do diálogo com outras áreas do conhecimento, como a Arqueologia, a Antropologia, a Geografia e o Direito. Destacam-se, ainda, inúmeras políticas implementadas pelo Estado brasileiro e que são direcionadas aos povos indígenas, como as de ações afirmativas. Diante disso, este simpósio objetiva reunir pesquisadores(as), indígenas e não indígenas, de diversas áreas do conhecimento, que se dedicam ao estudo dos povos indígenas, da História Indígena e do Indigenismo na Amazônia em distintas temporalidades. Aceitam-se pesquisas que contemplem: as políticas indígenas e indigenistas; o ensino de História indígena e a educação indígena; culturas, saberes, memórias, línguas e comunicação indígenas; paisagens e materialidades indígenas.
Simpósio Temático 25:
Gênero, raça, sexualidades e feminismo plurais
Proponentes:
Ana Célia Barbosa Guedes (IFPA/Doutora)
Alana Albuquerque de Castro (UFPA/Mestra)
Cristina Donza Cancela (UFPA/Doutora)
Este Simpósio Temático propõe uma reflexão centrada na interseccionalidade entre gênero, raça, sexualidade, território e outros marcadores de diferença. Entendemos que o cotidiano e as narrativas de mulheres e homens atravessados por diferentes violências são influenciados por esses marcadores, de modo que experiências, subjetividades e formas de resistência são sempre singulares e situadas. O foco desta proposta é agregar pesquisas e experiências que compreendam a Amazônia em suas múltiplas territorialidades, racialidades, etnicidades, corpos e processos de identificação, na perspectiva das epistemologias do feminismo plural — em particular, dos feminismos negro, comunitário e do Sul Global. Discutir as categorias de gênero, raça, etnicidade, sexualidade e territorialidade é necessário para pensar a violência de racialização e sexualização dos corpos pelo colonialismo patriarcal presente na sociedade brasileira. Problematizar a História e a Historiografia a partir do território amazônico significa considerar a multiplicidade de seus povos e entender esse território como espaço político e simbólico, de sentidos, cosmopercepções, saberes, poderes, lutas, perdas e ancestralidades. Dessa forma, o simpósio busca reunir estudos sobre experiências interseccionais e comunitárias de sujeitos historicamente marginalizados — mulheres indígenas, negras, LGBTQIAPN+, migrantes e diaspóricas —, considerando suas múltiplas religiosidades, gerações e saberes epistêmicos, em diálogo com as masculinidades periféricas e a luta coletiva por direitos e existência plena.
Simpósio Temático 26:
HISTÓRIA, ENSINO DE HISTÓRIA E LINGUAGENS
Proponentes:
Cleodir da Conceição Moraes (EAUFPA/UFPA/Doutor)
Edilson Matheus Costa da Silva (UEPA/Doutor)
A História tem como uma das suas principais funções a orientação de indivíduos e grupos no tempo e espaço vivido, pois, como ensina Marc Bloch (2001, p. 52), o passado em si não é “objeto de ciência”. Ao problematizarem o passado, a partir de pulsões do presente, que supõe certa perspectiva de futuro, os profissionais da disciplina lançam mão de um conjunto fragmentado e diversificado de documentos nas suas operações historiográficas (CERTEAU, 2007, p. 65-119). Entendemos que há diferenças fundamentais entre pesquisa e ensino, mas isso não significa, em absoluto, agir como se houvesse uma drástica e intransponível separação entre uma e outra atividade, porque, ao fim e ao cabo, todo pesquisador precisa se preocupar com a formação de novos pesquisadores, ser, portanto, um professor, e todo professor necessita refletir sobre suas práticas, de forma crítica, teórica e metodologicamente balizada. Essa separação diz respeito à própria concepção da História como disciplina escolar e acadêmica e a sua função na sociedade contemporânea. Compete aos professores-pesquisadores e aos pesquisadores-professores encararem os problemas comuns aos diferentes campos de atuação da disciplina, como as escolhas metodológicas, articulação de saberes e experiências, objetivos e materiais específicos e, principalmente, a reflexão sobre as fontes selecionadas (CERRI, 2013; TARDIF, 2000, ZEICHNER, 1998). Ciente dessas diferenças, este Simpósio Temático se propõe acolher trabalhos conclusivos ou em andamento, no âmbito acadêmico ou escolar, que problematizem o uso de diferentes linguagens e narrativas no ensino e na pesquisa da História, expressas por meio de diversos suportes e produtos artísticos e culturais, como, entre outros, jogos, filmes, televisão, sites, blogs e fotografias (PINSKY, 2015). Discussões teóricas, experimentações metodológicas, análises de casos que tratem das interações entre história, ensino de história e linguagens serão muito bem vindas neste fórum.
Simpósio Temático 27:
Amazônias indígenas: histórias, territórios, saberes e ensino
Proponentes:
André José Santos Pompeu (SEMEC - Belém/Doutor)
Laecio Rocha de Sena (UNIFESSPA/Doutor)
Rafael Rogério Nascimento dos Santos (UFPA/Doutor)
A partir de 1990, a história/historiografia indígena no Brasil passou a adotar uma abordagem mais crítica, fruto tanto das transformações internas à disciplina, novos objetos, temas e abordagens, quanto do protagonismo indígena contemporâneo, que tem provocado a academia a rever seus pressupostos teóricos. Diante da atuação política desses povos junto ao Estado pela garantia de direitos como educação, saúde e território, os/as pesquisadores/as passaram a olhar o passado indígena sob outro enfoque. Com abordagem interdisciplinar, essas pesquisas buscam novas perspectivas sobre as experiências indígenas na história do Brasil, resultando, como previu John Monteiro, na reescrita de páginas inteiras da história brasileira. Sem ignorar a história de violências, coerções e etnocídios, é importante reconhecer que os indígenas integraram redes sociopolíticas e buscaram espaços de negociação e autonomia conforme seus próprios interesses. Este simpósio reunirá trabalhos que tratem os povos indígenas como sujeitos históricos, evidenciando sua presença na Amazônia em diferentes temporalidades, incluindo pesquisas sobre educação, ciência, saúde, território e outras. Pretende-se um espaço de diálogo acadêmico amplo para compartilhar pesquisas e conhecimentos sobre História Indígena e do Indigenismo nas Amazônias.
Simpósio Temático 28:
Decolonialidade e Contracolonialidade: possibilidades de
confluência epistêmica no Ensino de História
Proponentes:
Regina Célia Corrêa Batista (UNIFESSPA/Doutora)
Adelson Cezar Ataide Costa Junior (IFPA / Doutor)
Este Simpósio visa reunir docentes e pesquisadores do Ensino de História para debater produções fundamentadas em perspectivas epistêmicas não eurocentradas. O objetivo central é refletir sobre formas de perceber o mundo a partir de sujeitos não privilegiados pela colonialidade, utilizando ferramentas analíticas que problematizam as hierarquias de poder, saber e ser, inclusive aquelas reproduzidas pelo ensino. Pensamos os trabalhos a partir das referências dos conceitos de decolonialidade, na perspectiva de Aníbal Quijano, e contracolonialidade, conforme proposta por Nego Bispo. Enquanto Quijano (2002) analisa como a modernidade forjou a "colonialidade do poder" — um padrão global de dominação que estrutura as sociedades atuais através da validação seletiva do conhecimento e das subjetividades — Bispo foca na resistência ativa de comunidades quilombolas e indígenas. Para Bispo, o pensamento dessas comunidades não foi colonizado, mantendo-se em constante enfrentamento através de epistemes que valorizam a ancestralidade, a coletividade e a confluência de saberes e fazeres. O ST privilegia trabalhos que evidenciem as disputas de poder nos currículos, compreendendo-os como territórios políticos onde saberes ditos “universais” marginalizam conhecimentos considerados “peculiares”. Tais discussões dialogam com as Leis Federais 10.639/2003 e 11.645/2011, que instituem o ensino da história e cultura afro-brasileira, africana e indígena. Assim, pretendemos colocar em diálogo pesquisas sobre avanços, desafios e experiências de ensino, buscando novas metodologias e estratégias para práticas inclusivas que enfrentem mecanismos de ensino reforçadores de racismos, misoginia e xenofobia. O intuito é promover um diálogo acadêmico que não desconsidere a produção clássica, mas que também não despreze as produções ligadas às ciências ancestrais.
Simpósio Temático 29:
Festas, Celebrações, saberes e sociabilidades outras:
Por Uma historiografia do festejar
Proponente:
Tatiane do Socorro Correa Teixeira da Silva (SEDUC-PA/Doutora)
A proposta deste simpósio consiste em reunir trabalhos que tomem a festa como experiência social produtora de saberes, formas de sociabilidade e processos de formação. Parte-se do reconhecimento de que práticas festivas constituem espaços densos de circulação de conhecimentos, elaboração de memórias e construção de identidades. Nesse ínterim, procuramos trabalhos que discutam os múltiplos sentidos que historicamente foram atribuídos ao festejar, revelando dinâmicas de poder, tensões sociais, resistências. Objetivamos encontrar trabalhos acerca dos estudos de festas e festejos que se dedicam a pensar também o implícito, o simbólico, os elementos que compõem imaginários de quem festeja e representações do que é festejado. Assim, visamos reunir neste simpósio trabalhos que pensam essas comemorações numa concepção de história social da festa. Portanto, as festas e festejos são práticas que constituem o cotidiano das pessoas e grupos enquanto linguagem e experiência. Logo, é possível compreender os movimentos da História e os imaginários de sociedade a partir dos seus estudos. Assim, desejamos contribuir com a historiografia do festejar.
Simpósio Temático 30:
Ensino de História na Perspectiva da Educação Inclusiva:
formação docente, metodologias ativas e práticas pedagógicas para
estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA)
Proponente:
Karina Raylene dos Santos Ribeiro (UEMA/Mestra)
A consolidação da Educação Inclusiva nas escolas brasileiras tem provocado profundas transformações nas práticas pedagógicas e na formação docente, exigindo que os professores desenvolvam competências capazes de atender à crescente diversidade presente nas salas de aula. Nesse contexto, a ampliação do acesso de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) ao ensino regular evidencia a necessidade de construir estratégias didáticas que favoreçam a participação, a aprendizagem e o desenvolvimento desses estudantes. Além disso temos, ampliação das políticas de Educação Inclusiva e o crescente número de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) matriculados na educação básica têm impulsionado novos debates acerca da formação docente e das práticas pedagógicas desenvolvidas no ensino regular. No campo do Ensino de História, esses desafios tornam-se ainda mais complexos diante da necessidade de construir metodologias que favoreçam a aprendizagem histórica, o pensamento crítico e a participação efetiva de todos os estudantes, respeitando suas diferentes formas de aprender. Paralelamente, o avanço das tecnologias digitais e das metodologias ativas tem ampliado as possibilidades de inovação pedagógica, destacando o ensino híbrido como uma estratégia capaz de flexibilizar tempos, espaços e formas de aprendizagem. Entretanto, a efetivação dessas metodologias depende, em grande medida, da formação inicial e continuada dos professores, especialmente no que se refere à construção de práticas inclusivas voltadas aos estudantes com TEA. Embora a legislação brasileira assegure o direito à educação inclusiva, ainda são evidentes as dificuldades enfrentadas pelos docentes para articular conhecimentos históricos, recursos tecnológicos e metodologias de ensino que atendam às especificidades desse público. A relevância dessa discussão emerge diante dos desafios encontrados no ambiente escolar para garantir práticas pedagógicas que contemplem as especificidades dos estudantes neurodivergentes. Segundo Marchesi (2004), torna-se mais difícil avançar na construção de escolas inclusivas quando os professores, em seu conjunto, não adquirem competências suficientes para desenvolver processos educacionais voltados a todos os estudantes. Nesse sentido, as dificuldades relacionadas à formação docente e à implementação de práticas inclusivas podem impactar diretamente o processo de aprendizagem dos alunos com TEA, especialmente no ensino de História, componente curricular que envolve habilidades de abstração, interpretação temporal, construção de narrativas e pensamento crítico. Entretanto, do ponto de vista acadêmico, ainda se observa uma lacuna significativa nos estudos e na formação dos professores de História no que se refere ao acesso aos conhecimentos científicos, pedagógicos e metodológicos relacionados à Educação Inclusiva e, de modo mais específico, às práticas voltadas para estudantes com TEA. De maneira geral, as pesquisas ainda não têm apontado um conhecimento histórico aprofundado acerca de como se articulam a formação, os saberes, as experiências e as didáticas dos professores de História no contexto do ensino inclusivo mediado por tecnologias. Refletir sobre essas questões torna-se essencial para, conforme destacam Böck e Nuernberg (2020, p. 363), “dar visibilidade ao tema deficiência no currículo como um tema do cotidiano humano”, ampliando os debates sobre inclusão escolar e sobre as possibilidades de construção de práticas pedagógicas mais equitativas. Neste contexto, o presente Simpósio Temático propõe reunir pesquisadores, professores da Educação Básica e do Ensino Superior, estudantes de graduação e pós-graduação de História e demais profissionais interessados em discutir experiências, pesquisas e práticas voltadas à Educação Inclusiva no Ensino de História. O foco central será a formação inicial e continuada de professores, o uso de metodologias ativas, das tecnologias digitais e do ensino híbrido como estratégias para promover práticas pedagógicas mais acessíveis e inclusivas. Inserir o aluno com as NEEs nas aulas de História do ensino fundamental anos finais regular faz parte da responsabilidade pedagógica e metodológica do professor. Cabe a esse profissional com suas aulas proporcionar aos seus alunos aulas que eles consigam relacionar os acontecimentos históricos com a realidade do tempo presente e a que eles estão inseridos. Como afirma a autora Circe Bittencourt, “Um dos objetivos da História é compreender o tempo vivido de outras épocas e converter o passado em “nosso tempo” (2004, p. 204). As discussões poderão contribuir para fortalecerem a inclusão escolar dos estudantes com TEA, promovendo o desenvolvimento de habilidades cognitivas, sociais e educacionais, ao mesmo tempo em que amplia o debate sobre a necessidade de inserir discussões relacionadas ao Ensino Inclusivo tanto na formação inicial quanto na formação continuada dos professores de História. Tal perspectiva ganha relevância ao considerar que “a formação de professores tem sido apontada como condição indispensável e positivamente influente na inclusão escolar do aluno com deficiência” (BALBINO, 2021, p. 59). Dessa forma, acredita-se que este simpósio poderá oferecer subsídios para pensar possibilidades formativas sintonizadas com uma práxis crítica e emancipatória, contribuindo para uma educação histórica mais inclusiva e significativa. Serão acolhidos trabalhos que abordem temas como formação docente, inclusão escolar, adaptação curricular, acessibilidade, Atendimento Educacional Especializado (AEE), tecnologias educacionais, metodologias ativas, ensino híbrido, produção de materiais didáticos, produtos educacionais e relatos de experiências voltados à inclusão de estudantes com TEA e de outros públicos da Educação Especial. O simpósio pretende constituir um espaço de diálogo interdisciplinar, socialização de pesquisas e construção coletiva de conhecimentos, fortalecendo a aproximação entre universidade e escola. Busca-se incentivar reflexões sobre práticas pedagógicas inovadoras capazes de contribuir para a efetivação de uma educação histórica crítica, democrática e inclusiva, bem como ampliar o debate sobre políticas públicas, formação de professores e desenvolvimento de produtos educacionais voltados à melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem na Educação Básica.
Simpósio Temático 31:
AMAZÔNIAS E TEMPO PRESENTE
Proponentes:
Adriane dos Prazeres Silva (UEPA/Doutora)
Davison Hugo Rocha Alves (UNIFESSPA/Doutor)
O simpósio temático Amazônias e tempo presentes tem como finalidade reunir pesquisas e relatos de experiências da graduação e da pós-graduação sobre a temática, dentro do campo de ensino e pesquisa histórica, enfocando o tempo presente como eixo metodológico de reflexão e análise. Apresentando as urgências sociais, ambientais, educacionais e políticas diante dos avanços dos conflitos ambientais, territoriais e urbanos. Observando os impactos das tecnologias digitais, das mudanças sociais presentes no território brasileiro, especialmente a região amazônica, no cenário de pós-COP 30 e as emergências climáticas. Espera-se que seja um espaço para pensar os povos das águas, das florestas, dos campos e das cidades e na luta por direitos aos territórios, a educação pública e a políticas sociais que contemplem diversos sujeitos sociais. O debate sobre os processos históricos em abertos desde os anos 60 até as recentes transformações da natureza amazônica, provocaram uma questão importante para ser debatido por professores de História e historiadores, são os “passados que não passam” (Rousso, 2016) na sociedade amazônica e brasileira.
Simpósio Temático 32:
DO CORAÇÃO DA FLORESTA AO CENTRO DO GLOBO: NATUREZA, CIDADES
E GEOPOLÍTICA DAS AMAZÔNIAS – SÉCULOS XIX AO XXI
Proponentes:
Tarcisio Cardoso Moraes (SEDUC-PA/Mestre)
Helison Geraldo Ferreira Cavalcante (SEDUC-PA/Mestre)
A crescente centralidade da Amazônia nos debates sobre mudanças climáticas, biodiversidade e desenvolvimento sustentável reforça a necessidade de compreender os processos históricos que produziram diferentes interpretações sobre suas paisagens, rios, florestas, cidades e territórios. Ao propor a Amazônia como um espaço historicamente constituído no cruzamento entre natureza, cidades, redes de circulação e disputas geopolíticas, este Simpósio Temático busca deslocar interpretações que tradicionalmente a situaram como periferia, evidenciando seu papel como centro produtor de conhecimentos, territorialidades e conexões globais. Nesse sentido, pretende reunir pesquisas que investiguem as relações entre sociedade, natureza e produção do espaço nas Amazônias, privilegiando abordagens da História Ambiental, História Global, Geografia Histórica, História Intelectual e História Urbana. O simpósio acolhe estudos sobre a Amazônia como espaço de circulação de pessoas, saberes, mercadorias e projetos políticos, bem como pesquisas dedicadas à construção histórica dos conhecimentos sobre a natureza amazônica, às representações da floresta e dos rios e aos processos de ocupação, conservação e territorialização. Também serão especialmente bem-vindas pesquisas que discutam a historicidade das cidades amazônicas e as relações entre urbanização e floresta, compreendendo as metrópoles amazônicas como espaços historicamente constituídos pelas dinâmicas dos rios, das florestas e das territorialidades regionais. Nessa perspectiva, interessam reflexões sobre cidades-floresta, modernização urbana, transformações ambientais, expansão urbana, conflitos socioambientais e geopolítica das Amazônias. Ao reunir diferentes perspectivas analíticas, o simpósio pretende fortalecer o debate sobre a inserção histórica das Amazônias nas dinâmicas nacionais e globais. Mais do que um espaço periférico, propõe compreendê-las como centros históricos de produção de conhecimentos, circulação de pessoas e mercadorias, formulação de projetos políticos e disputas geopolíticas, reafirmando seu protagonismo na compreensão das conexões entre história, natureza e mundo contemporâneo.
SIMPÓSIO TEMÁTICO 33
MÍDIAS DIGITAIS NA AMAZÔNIA: ESTUDOS HISTÓRICOS SOBRE
PRODUÇÕES AUDIOVISUAIS NO CONTEXTO AMAZÔNICO
Proponente:
Fernando Arthur de Freitas Neves (UFPA/ Doutor)
O presente ST tem como principal objetivo discutir como as mídias digitais, tais como jogos eletrônicos, games, webcomics, videocasts, vlogs, webinars e telenovelas despontam como novos objetos da pesquisa histórica, tanto quanto a constituição de documentos tornados eletrônicos ou gerados eletronicamente estão sendo discutidos para a compreensão das relações entre passado-presente e presente-passado na história e na historiografia. Parte-se do pressuposto que elas têm transformado as relações sociais, econômicas, políticas e imagéticas desde o século XX ao alterar as noções de informação, educação e entretenimento (Burke; Briggs, 2006). Observa-se que elas criaram novos espaços de sociabilidade e adentraram o cotidiano (Certeau, 1996) a partir dos telefones celulares, computadores, da internet, das televisões e dos videogames. Por outro lado, tornaram-se responsáveis por certas representações do passado, questões essenciais não só para a Nova História Cultural (Barros, 2003; 2011; Chartier, 2002), mas também para a História Pública (Santhiago, 2016). Desde o século XX, tanto os jogos, quanto as telenovelas, particularmente, têm recebido cada vez mais atenção dos historiadores (Chapman, 2016; Carvalho, 2024; Coelho e Silva, 2023; Melo, 2011; Oliveira Junior e Cancela, 2013; Matos e Ferreira, 2015). Isso mostra que o campo da História Digital e a pesquisa nos meios digitais têm se fortalecido. Entretanto, nota-se a necessidade de aprofundar as discussões historiográficas em torno deste campo, especialmente considerando o contexto amazônico. Nesse sentido, o ST propõe reunir estudiosos das mídias digitais (aplicativos, produções audiovisuais, jogos virtuais/eletrônicos e sites) nas sociedades amazônicas, além de estimular o uso desse corpo de fontes e propostas de métodos com esse objeto de pesquisa e análise. Aceitam-se trabalhos que abarquem desde a Amazônia Colonial até os contextos históricos mais recentes, dada a capacidade de tais mídias em refletir sobre a História. Isto posto, o Simpósio Temático procura contribuir para os campos da História do Tempo Presente, História Digital, História Oral, História Cultural e demais estudos das Humanidades digitais.
Realização e organização:
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