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RELAÇÃO DE MINICURSOS

Minicurso 1

 

Humanidades Digitais e História da Amazônia: introdução ao Seshat: Global History Databank e à coleta de dados históricos

Ministrante:

Dr. Ivo Pereira da Silva (UFPA)

 

Resumo:

O avanço das tecnologias digitais tem transformado profundamente as formas de produzir, organizar e difundir o conhecimento histórico. Nesse contexto, as Humanidades Digitais emergem como um campo interdisciplinar capaz de aproximar a pesquisa histórica de ferramentas computacionais, bancos de dados e metodologias inovadoras de análise. O presente minicurso tem como objetivo apresentar os fundamentos teóricos e metodológicos do “Seshat: Global History Databank”, uma das mais importantes iniciativas internacionais voltadas à sistematização e análise comparativa de dados históricos em escala global, bem como discutir as possibilidades de inserção da história da Amazônia Colonial e Imperial nesse debate internacional. A partir da experiência do projeto de pesquisa Transformações políticas, sociais, econômicas e culturais na Amazônia Colonial e Imperial: coleta e análise de dados históricos para o Seshat: Global History Databank, desenvolvido pela Faculdade de História da Amazônia Tocantina (FACHTO/UFPA), os participantes serão introduzidos aos conceitos centrais das Humanidades Digitais, às diretrizes metodológicas do Seshat e às estratégias de levantamento, seleção e organização de fontes históricas publicadas. O minicurso pretende contribuir para a formação de estudantes, professores e pesquisadores interessados no uso de tecnologias digitais aplicadas à História, estimulando reflexões sobre internacionalização da pesquisa, ciência aberta, democratização do conhecimento e novas possibilidades de investigação sobre a Amazônia.

 

Conteúdo Programático:

Módulo 1 – Humanidades Digitais e os desafios da pesquisa histórica contemporânea (2h)

  • A transformação digital e seus impactos na produção do conhecimento histórico;

  • Conceitos e perspectivas das Humanidades Digitais;

  • História digital: possibilidades, limites e desafios éticos;

  • O historiador diante das novas tecnologias e das fontes digitais.


 

Módulo 2 – O Seshat: Global History Databank (2h)

  • Origem, objetivos e desenvolvimento do projeto;

  • O Seshat como iniciativa internacional de história global;

  • Potencialidades do Seshat para pesquisas comparativas.


 

Módulo 3 – Amazônia Colonial e Imperial: fontes e possibilidades de codificação histórica (2h)

  • A Amazônia nos séculos XVI ao XIX: perspectivas de investigação;

  • Fontes primárias e secundárias para o estudo da região;

  • Documentos administrativos, missionários, relatos de viagem e produção historiográfica.


 

Módulo 4 – Oficina prática: organização e sistematização de dados históricos (2h)

  • Exercícios de identificação e classificação de evidências históricas;

  • Discussão sobre a inserção futura de dados amazônicos no Seshat;

  • Perspectivas de pesquisa, internacionalização e divulgação científica.

 

Minicurso 2

 

A História Natural da Controvérsia: Teoria Ator-Rede Aplicada à Pesquisa Histórica

 

Ministrante:

Bruno Carlos Oliveira Neves (Doutorando em História Social da Amazônia – UFPA)

 

Resumo:

Este minicurso propõe uma rigorosa imersão teórica e metodológica na interface entre a historiografia contemporânea e a Teoria Ator-Rede (TAR). Nosso objetivo central é capacitar o pesquisador a abandonar as explicações sociológicas prontas e adotar a "História Natural da Controvérsia" como ferramenta analítica. Ao longo das sessões, buscaremos desmontar a "caixa-preta" da História Social tradicional para compreender como redes de actantes constroem a realidade.

 

Conteúdo Programático:

Módulo 1: A Ontologia do Atuante (Actante);

Módulo 2: Topologia e Escala – Dissolvendo o Micro e o Macro;

Módulo 3: A Controvérsia como Porta de Entrada;

Módulo 4: O Princípio de Simetria e a Justiça Histórica;

Módulo 5: Da “História da Verdade” à “História-Construção”, Descrição como Explicação e a Infralinguagem;  

Atividade de Encerramento: Exercício de Re-controvérsia.

 

Minicurso 3

 

História e arte de ensinar: o teatro e a música como ferramentas de apoio pedagógico na sala de aula

Ministrante:

Dr. Elias Diniz Sacramento (UFPA)

 

Resumo:

Este minicurso tem como proposta apresentar ideias de como pensar melhor a realização das atividades pedagógicas da disciplina História em sala de aula. A ideia é abrir um debate acerca do pensar metodológico a ser apresentado e como pode ser possível utilizar outros recursos de apoio para que o ensino deixe de ser monótono e passe a ser mais atrativo fazendo com que o ambiente da sala de aula se torne mais proveitoso. Pensar letras de músicas com canções que retratem temáticas de acontecimentos históricos poderá ser algo de grande importância para o educador e os discentes, bem como pensar a criatividade do teatro como ferramenta em temáticas da história, deixando a aula mais agradável.

 

Conteúdo Programático:

Apresentação do Minicurso;

Apresentação dos participantes;

Apresentação de textos básicos;

Organização de oficinas;

Apresentação dos trabalhos realizados nas oficinas;

Encerramento.

 

Minicurso 4

Documentos judiciais e administrativos na

pesquisa histórica e na intervenção pública

Ministrantes:

Dr. Alan Dutra Cardoso (UNIFESSPA)

Dra. Ana Luisa Santos Rocha (UFPA)

 

Resumo:

O minicurso propõe discutir as potencialidades dos documentos judiciais e administrativos para a produção do conhecimento histórico e para a reflexão crítica no campo das humanidades e das ciências

sociais e aplicadas. Ao partir das contribuições mais recentes da História Social das Propriedades, da História Agrária e da História do Direito, busca-se apresentar instrumentos teóricos e metodológicos para a análise de processos judiciais e administrativos, de registros cartoriais e/ou outros documentos produzidos por instâncias jurídicas e de gestão do Estado. Mais do que concebê-los como simples registros de fatos, pretende-se problematizar tais acervos como espaços de disputa e de produção de diferentes escalas de direitos, particularmente na Amazônia.

A proposta enfatiza a importância do diálogo interdisciplinar entre historiadores e juristas, demonstrando como a historicização de categorias como posse, propriedade, domínio, ocupação, título e benfeitoria pode contribuir tanto para a pesquisa acadêmica quanto para a compreensão de problemas contemporâneos relacionados à terra, ao meio ambiente e aos direitos coletivos. Procura-se evidenciar, nesse sentido, como a aproximação entre História e Direito pode oferecer instrumentos relevantes para a pesquisa e para a intervenção em problemas públicos, especialmente aqueles vinculados às desigualdades territoriais e às disputas em torno dos recursos naturais.

Pretende-se também refletir sobre os impactos das transformações tecnológicas na produção do conhecimento em ambas as áreas. Serão discutidas as possibilidades abertas pela digitalização de acervos, pelos repositórios documentais, pelas bases de dados e pelas ferramentas digitais voltadas à organização, busca e sistematização de informações. Particular atenção será dedicada às potencialidades e aos limites do uso de tecnologias contemporâneas – incluindo recursos de reconhecimento óptico de caracteres, bancos de dados digitais e inteligência artificial – para a leitura, a crítica e a interpretação de documentos históricos. Parte-se do pressuposto de que tais instrumentos não substituem a crítica documental, mas podem ampliar as possibilidades de acesso, preservação e análise dos acervos, ao reafirmar a centralidade do trabalho interpretativo e da reflexão crítica na produção do conhecimento histórico e jurídico.

Com caráter eminentemente prático, o minicurso prevê atividades de leitura e análise documental, bem como visita técnica a uma instituição de guarda documental em Belém, possibilitando aos participantes contato direto com acervos de interesse para ambas as áreas e com os desafios contemporâneos relacionados à preservação, à organização e ao acesso às fontes documentais.

 

Conteúdo Programático:

Módulo I – Arquivos judiciais, documentação administrativa e a crítica das fontes

• A renovação dos estudos sobre fontes jurídicas e administrativas;

• Processos cíveis, arquivos te terras e registros cartoriais como objetos de pesquisa;

• O documento histórico como espaço de disputa, produção de narrativas e escalas de direitos;

• Mediações, silêncios e desigualdades presentes nos autos;

• Procedimentos de localização, leitura, transcrição e análise documental;

Potencialidades e limites das tecnologias digitais e da inteligência artificial para a pesquisa

histórica e jurídica;

• Exercícios práticos de leitura e interpretação de documentos.

 

Módulo II – Acervos documentais, preservação e pesquisa

• Visita orientada ao Arquivo da CODEM;

• História institucional e constituição dos acervos;

• Instrumentos de pesquisa e organização arquivística;

• Problemas relacionados à preservação, acesso e digitalização documental;

• Aula prática com documentação histórica preservada pela instituição;

• Possibilidades de pesquisa para historiadores, juristas e demais áreas das Ciências Humanas;

• Discussão sobre os usos dos arquivos para a produção do conhecimento e para a intervenção em problemas contemporâneos.

 

Minicurso 5

 

Histórias e Historiografia do Pós-Abolição: pesquisa e ensino na Amazônia

Ministrantes:

Benedito Emílio da Silva Ribeiro (Doutorande – UFPA)

Edival Magalhães dos Santos (Doutorando – UNIFESSPA)

 

Resumo:

Este minicurso objetiva contribuir para a formação inicial e continuada de estudantes de graduação, pós-graduação e profissionais da área (pesquisadores/as e professores/as), com conteúdos e abordagens relacionados à história do pós-abolição e suas interfaces com o ensino de História, tomando a realidade amazônica como cerne de reflexão e investigação. Vinculada ao GT Emancipações e Pós-Abolição da ANPUH e ao projeto “Emancipações e o Pós-abolição na Amazônia”, a atividade oferecerá subsídios historiográficos e metodológicos a partir de trabalhos produzidos sobre o pós-abolição em perspectiva atlântica, os desdobramentos da pesquisa histórica sobre a temática no Brasil – a partir de experiências do Sudeste e do Sul – e suas implicações para compreender a história da diáspora africana e da presença negra na Amazônia. Do panorama geral das tendências e perspectivas historiográficas do campo de Emancipações e Pós-Abolição, o minicurso direciona atenção para abordagens temáticas possíveis no Ensino de História, em confluência à Educação das Relações Étnico-Raciais, para a Educação Básica, a partir de enfoques na temporalidade do pós-abolição e na experiência negra durante a República. Tais discussões serão atravessadas pela centralidade da reflexão sobre metodologias da história, entre pesquisa e ensino, com ênfase a métodos, fontes e problemas que atravessam a realidade afrodiaspórica e de uma educação antirracista na Amazônia.

 

Conteúdo Programático:

MÓDULO 01 – O pós-abolição como problema histórico: tendências, desafios e potencialidades durante esta primeira aula, será realizada uma apresentação e caracterização geral sobre o campo do Pós-Abolição, entre perspectivas atlântica, nacional (Brasil) e local/regional (Amazônia). Aqui, iremos incentivar a discussão em torno de obras de referência para os debates e investigações históricas nesse campo historiográfico, assinalando para conceitos e abordagens teórico-metodológicas que tem orientado a construção de inúmeras pesquisas, destacando desafios e potencialidades na identificação e análise crítica das fontes disponíveis (escritas, imagéticas, orais etc.).

 

MÓDULO 02 – Pós-abolição, Ensino de História e Educação para as Relações Étnico-Raciais Nesta segunda e última aula, o objetivo central é dimensionar o campo do pós-abolição como temática e problemática histórica para a construção de tópicos de conteúdo e assuntos a serem trabalhados no ensino de História, sobretudo na Educação Básica. Tomando o pós-abolição enquanto eixo de debates e reflexões críticas na história ensinada, dimensionando as relações potenciais entre passado e presente nos enfrentamentos ao racismo, destaca-se aqui como abordar o tema nas aulas de História e de Estudos Amazônicos, tratando esta temporalidade e suas sobreposições ao contexto da República (como tema e cronologia) e as experiências sociais, políticas e culturais de sujeitos negros, mulheres e homens, na Amazônia, em meio a discussões sobre antirracismo, cidadania, justiça socioambiental e reparação.

 

Minicurso 6

 

Nos rastros do Santo Ofício: sexualidade e controle

moral na Amazônia colonial setecentista

Ministrante:

Gislaine Rodrigues (Mestranda – PPGHIST/UNIFESSPA)

 

Resumo:

Este minicurso tem como objetivo apresentar e discutir a última visitação do Santo Ofício à Amazônia colonial, articulando fundamentos teóricos, análise de fontes documentais e momentos de diálogo com os/as participantes. A atividade será desenvolvida em dois encontros, com carga horária total de 8 horas, distribuídas conforme a programação do evento. A proposta busca abordar a história social, econômica e religiosa da Amazônia no século XVIII, com atenção à atuação da Igreja Católica no Norte da América portuguesa e aos mecanismos de vigilância, disciplinamento e controle exercidos sobre os corpos, as práticas religiosas e a vida cotidiana dos fiéis. Nesse sentido, o minicurso pretende refletir sobre a presença da Inquisição portuguesa na região, seus impactos na sociedade colonial e suas formas de intervenção sobre crenças, comportamentos e experiências sociais consideradas desviantes.

 

Conteúdo Programático:

Dia 01: A Amazônia colonial setecentista:

  • Formação social, econômica e religiosa da Amazônia no século XVIII.

  • Relações entre colonização, Igreja Católica, Estado português e populações locais.

  • Dinâmicas de controle social, moral e religioso no espaço amazônico.

Dia 02: O Santo Ofício português e suas visitações

  • Funcionamento geral do Tribunal do Santo Ofício.

  • A lógica das visitações inquisitoriais no Império português.

  • A última visitação do Santo Ofício à Amazônia colonial: contexto, objetivos e personagens envolvidos.

  • O caderno do visitador: Desafios e uso da fonte.

 

Minicurso 7

 

Instituições, trajetória e desenvolvimento: a teoria neoinstitucionalista como ferramenta para a análise da História Econômica da Amazônia

Ministrante:

Dr. Eduardo José Monteiro da Costa (UFPA)

 

Resumo:

O minicurso tem por objetivo apresentar a Nova Economia Institucional — especialmente as contribuições de Douglass C. North, da Teoria das Ordens Sociais e dos trabalhos de Daron Acemoglu e James A. Robinson sobre instituições, poder político e desenvolvimento — como ferramenta analítica para pesquisas em História Econômica da Amazônia. Parte-se da premissa de que os processos econômicos não podem ser compreendidos apenas pela dotação de recursos naturais, pelos ciclos produtivos ou pelas políticas estatais isoladamente consideradas, mas devem ser analisados a partir das regras formais e informais, dos direitos de propriedade, dos custos de transação, das formas de coerção, das coalizões de poder e dos mecanismos históricos de reprodução institucional.

Ancorado no capítulo teórico da tese História Econômica da Amazônia, o minicurso discutirá conceitos como instituições, organizações, dependência de trajetória, mudança institucional, ordens de acesso limitado, instituições extrativistas e inclusivas, Estado, violência, elites e desenvolvimento. Em seguida, buscará demonstrar como essas categorias podem iluminar problemas clássicos da historiografia econômica amazônica, tais como a economia colonial, o extrativismo das drogas do sertão, o sistema de aviamento, a economia da borracha, a atuação do Estado, os grandes projetos, a concentração da renda e a persistência do subdesenvolvimento regional.

A proposta pretende oferecer aos participantes instrumentos conceituais e metodológicos para formular problemas de pesquisa, construir hipóteses explicativas, interpretar fontes históricas e articular a análise econômica, institucional, política e territorial da Amazônia em longa duração.

 

Conteúdo Programático:

1. História econômica, instituições e interpretação histórica

  • A história econômica como campo interdisciplinar.

  • Limites das explicações baseadas apenas em recursos naturais, ciclos produtivos ou decisões

  • estatais.

  • A importância das instituições para a compreensão da formação econômica regional.

2. Fundamentos da Nova Economia Institucional

  • Douglass C. North e o conceito de instituições como “regras do jogo”.

  • Instituições formais e informais.

  • Organizações, incentivos, custos de transação e enforcement.

  • Direitos de propriedade, contratos e coordenação econômica.

3. Dependência de trajetória e mudança institucional.

  • Path dependence e persistência histórica.

  • Janelas críticas, retornos crescentes e bloqueios institucionais.

  • Mudança incremental, conflito distributivo e adaptação institucional.

  • A longa duração como chave para interpretar o desenvolvimento amazônico.

4. Teoria das Ordens Sociais e ordens de acesso limitado

  • Violência, Estado e coalizões dominantes.

  • Ordens de acesso limitado e ordens de acesso aberto.

  • Privilégios, rent seeking, monopólios, clientelismo e captura institucional.

  • A contribuição de North, Wallis e Weingast para a análise histórica.

5. Instituições inclusivas, instituições extrativistas e desenvolvimento

  • A contribuição de Acemoglu e Robinson.

  • Instituições políticas e econômicas.

  • Elites, concentração de poder e reprodução do atraso.

6. Aplicações à História Econômica da Amazônia

  • Amazônia colonial: Estado, missões, trabalho indígena, drogas do sertão e companhias monopolistas.

  • Ciclo da borracha: aviamento, crédito, dependência mercantil e vulnerabilidade externa.

  • Estado, planejamento regional e grandes projetos no século XX.

  • Enclaves, corredores de exportação, baixa internalização da renda e subdesenvolvimento persistente.

 

Minicurso 8

Caminhos para uma Educação Antirracista: Interdisciplinaridade, Imagem e Tecnologia na Efetivação das Leis 10.639/03 e 11.645/08

Ministrantes:

Jakeline Barbosa da Silva (Doutoranda – UNIFESSPA)

Malena Silva Moreira (Doutoranda – UNIFESSPA)

 

Resumo:

Este minicurso propõe realizar o estudo dos marcos legais e diretrizes curriculares para a educação das relações étnico-raciais, com ênfase nas Leis 10.639/03 e 11.645/08. Refletir sobre a decolonialidade e a interculturalidade no espaço escolar. Explorar recursos imagéticos e digitais no ensino de História. Apresentar práticas pedagógicas interdisciplinares antirracistas a partir do protagonismo juvenil.

 

Conteúdo Programático:

I) Breve estudo das Leis 10.639/03 e 11.645/08 e suas diretrizes no ambiente escolar; introdução aos

conceitos de decolonialidade e interculturalidade para uma educação antirracista.

II) Uso prático de metodologias ativas para o letramento histórico dos estudantes; Ferramentas

iconográficas e tecnológicas e o protagonismo juvenil no ensino de História;

III) Apresentação das sequências didáticas “Oficina Imagética: Conhecendo o Candomblé de Ketu e

seus Orixás” e “A origem dos Mebêngôkre”.

 

Minicurso 9

 

Encantarias e religiosidades amazônicas: A relação entre entidades, meio ambiente e comunidades tradicionais

Ministrante:

Isabela dos Santos Monteiro (Mestranda – UFPA)

 

Resumo:

Na Amazônia, são diferentes entidades que circulam pelo imaginário popular e que já fazem parte das religiosidades amazônicas. Desde cedo, crescemos escutando sobre a mãe natureza e o respeito que devemos ter por ela, caso contrário, ela irá assombrar. Desse modo, o presente minicurso tem por objetivo analisar a relação de entidades consideradas místicas na Amazônia, a exemplo da Matinta Pereira e Curupira, e como elas podem contribuir para uma relação equilibrada entre as pessoas e o meio ambiente. Assim, ele irá refletir a respeito da sustentabilidade promovida pelos encantados, visto que a Matinta Pereira e o Curupira são considerados protetores da floresta e são os mais conhecidos dentre as diferentes entidades que residem nas matas, o qual ambos assombram e perseguem todos aqueles que podem se apresentar como um perigo iminente ao equilíbrio ambiental que contrasta com a subsistência e respeito promovido pelas comunidades tradicionais. A metodologia será dividida em três momentos. Inicialmente, será desconstruída a ideia de folclore e serão apresentados novos conceitos a respeito das encantarias. Posteriormente, serão desenvolvidos como a floresta é um ser vivo que agrupa entidades para protegê-la e como as comunidades tradicionais são indispensáveis nesse processo. Por fim, serão mostrados relatos de indivíduos que já tiveram experiências com essas entidades, especialmente ao demonstrar algum tipo de desrespeito à Mãe Natureza.

 

Conteúdo Programático:

a) Apresentação de conceitos e desconstrução da ideia de folclore, visto que ele carrega uma visão colonialista e dita como inferior. Dessa forma, serão explicados conceitos como religiosidades e encantarias amazônicas;

b) A floresta como ser vivo: Será explicado sobre a complexidade na floresta e suas relações com humanos e não-humanos, especialmente as entidades, o qual será apresentado a Matinta Pereira e o Curupira como protetores da floresta;

c) A relação entre os saberes tradicionais e o respeito promovido pelas comunidades para com as florestas ao incentivar a sustentabilidade ambiental;

d) Relatos de indivíduos que já tiveram experiências com essas entidades e será refletido acerca do respeito e temor que eles têm pela natureza;

e) Esses saberes tradicionais e as religiosidades amazônicas poderiam ser uma alternativa para a sustentabilidade ambiental em meio ao capitalismo e desmatamento desenfreado?

 

Minicurso 10

 

Letramento de Gêneros e Feminismos para o Ensino de História na educação básica

Ministrante:

Ma. Fernanda Jaime Andrade (UFPA)

 

Resumo:

O minicurso propõe discutir as relações de gênero e as contribuições dos feminismos como categorias de análise fundamentais para a renovação do Ensino de História na Educação Básica. A partir do conceito de "letramento de gênero", o curso visa instrumentalizar docentes para identificar e desconstruir narrativas androcêntricas nos livros didáticos e nos currículos tradicionais. Serão debatidas estratégias pedagógicas práticas para a inclusão de trajetórias de mulheres (cis e trans), populações LGBTQIA+ e marcadores interseccionais (raça, classe e colonialidade) no cotidiano escolar, dialogando diretamente com as competências da BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

 

Conteúdo Programático:

Dia 1: Fundamentos Teóricos e a Crítica ao Currículo Androcêntrico

  • O que é Letramento de Gênero? Conceitos fundamentais e a historicidade das categorias "homem", "mulher" e "família".

  • O "Vazio" Feminino na História Escolar: Análise crítica de manuais didáticos e a naturalização da ausência das mulheres nos grandes processos históricos.

  • Interseccionalidade na Prática: Como articular gênero, raça e classe na história do Brasil sem hierarquizar opressões.

Dia 2: Metodologias Práticas e Propostas Didáticas

  • Fontes Históricas no Plural: O uso de diários, cartas, literatura, iconografia e história oral para visibilizar sujeitos marginalizados.

  • Estudos de Caso para a Sala de Aula:

  • Mulheres na Antiguidade e Idade Média (além do ambiente doméstico).

  • O protagonismo das mulheres negras e indígenas na História do Brasil Colonial e Imperial.

  • Feminismos contemporâneos, ditadura militar e redemocratização.

  • Oficina Pedagógica: Elaboração coletiva de planos de aula alinhados às diretrizes de direitos humanos e igualdade de gênero.

 

Minicurso 11

 

Gêneros musicais no Brasil no tempo presente e

o ensino de história: possibilidades didáticas

Ministrantes:

Dr. Nélio Ribeiro Moreira (UFPA) 

Dr. Bernard Arthur Silva da Silva (UNIFESSPA)

 

Resumo:

A proposta do minicurso é percorrer um caminho teórico, metodológico e empírico sobre a relação História e Música a fim de encetar possibilidades de abordagem para o ensino. O interesse é traçar perspectivas analíticas, tomando como base uma bibliografia que obviamente não esgota aqui, que possam subsidiar leituras possíveis sobre maneiras de ver e ouvir a música como parte constitutiva da realidade circunstancial, como um espelho do contexto no qual os seus criadores e performers intentaram fazer dela meio de comunicação e registro do tempo. Tratar sobre o Ensino de História do Brasil através da música produzida no Tempo Presente permite que sejam vislumbradas e criadas possibilidades didáticas a serem aplicadas na Educação Básica. Sendo assim, o objetivo é apresentar elementos para um debate acerca das diversas formas possíveis de uso e consequentes propostas de aplicação no ensino de História do Brasil por meio do uso dos diferentes gêneros musicais produzidos no país: samba, bossa nova, bossa nova engajada ou canções de protesto, baião, jovem guarda, tropicalismo, rock setentista e oitentista, o movimento mangue beat, o rap, o funk e o heavy metal. Ao percorrer, analisar e debater as produções musicais tomando uma trajetória relativamente consolidada pela historiografia contemporânea que se debruçou sobre o tema, o que também pode ser tomado como problematização, busca-se traçar um quadro de possibilidades analíticas, teóricas e metodológicas que possam embasar formas didáticas que tenham na sala de aula um laboratório lítero-sônico que permita perceber questões, intenções, significados e sentidos na relação triangular História, Ensino de História e Música. Assim, o minicurso se justifica no fato de que a abordagem acenada pode ser tomada como base para a construção de possibilidades de aplicação nos níveis Ensino Fundamental Maior (6o ao 9º ano) e Ensino Médio (1º ao 3º ano). Daí que o público de interesse seja formado por professores e professoras da Educação Básica, graduandos do curso de História, pós-graduandos e pesquisadores(as) que trabalham com a relação História do Brasil e Música. A base teórica acionada refere-se ao campo da História do Tempo Presente (Rousso, 2016; Dosse, 2012; Koselleck, 2014; Hartog, ; Ferreira, 2018), à História Social (Chacon, 1985; Friedlander, 2008; Hobsbawm, 1989; Burke, 2002) e às abordagens que interrelacionam História Cultural, História da Música e História e Música (Contier, 1991; Garcia, 2001; Moraes, 2000; Napolitano, 2005; Paranhos, 2005, 2019), centrado nas pesquisas sobre a História dos gêneros musicais na sociedade ao longo do tempo e também seus aspectos visuais e verbais. Também, estamos ancorados, metodologicamente, na literatura sobre a relação entre ensino de História do Brasil e música (Dantas, 2013; Hermeto, 2023; Sodré, 2010; Faria, 2024; Forte; Forte, 2025; Almeida, 2005). Justificamos ainda como uma forma de atender às determinações quanto aos usos pedagógicos da música na Educação Básica estabelecidos nos documentos normativos , como a BNCC, Lei No 13.278/2016 sobre a inclusão de disciplinas artísticas no currículo da Educação Básica como a música, a Lei No 10.639/2003 e Lei No 11.645/2008 e, também, por entendermos que a música é produzida na sociedade, registra aspectos dela e é, portanto, uma fonte de pesquisa sobre ela em um determinado período da História. Por fim, o minicurso pretende ser um espaço de exposição de experiências, exploração de possibilidades e execução de atividades que articulam a música popular às temáticas do ensino de história como contribuição às propostas de formação continuada de professores.

 

Conteúdo Programático:

1. A escuta como método de apreensão da canção.

2. A canção popular como objeto: letra, música e sonoridade.

3. Os sentido histórico da canção ditado pelo contexto sociocultural: análise de canção.

4. Sons como signos, sinais e símbolos acústicos.

5. A análise musicológica, literária e histórica: convergências e dissensos.

6. A escuta ativa: os sentidos nas letras, sonoridades e nos aspectos subentendidos.

7. Objetividade e subjetividade do produtos musical: questionamentos ao pretenso “sentido fixo” da canção.

8. As complexidades das/nas músicas: sonoridade, poéticas, discursos e contextos.

9. Os sentidos históricos, culturais, políticos e sociais: invenções e reinvenções.

 

Minicurso 12

 

A Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) e o Ensino de História: metodologias, práticas e possibilidades formativas

 

Ministrantes:
Felipe Lopes Soares (Mestrando – PROFHISTÓRIA/UFPA)

Thaynã do Socorro Santiago Galvão dos Reis (Mestranda – PROFHISTÓRIA/UFPA)

 

Resumo:

Este minicurso tem como objetivo discutir a experiência da Olimpíada Nacional em História do Brasil (ONHB) como ferramenta pedagógica no ensino de História, destacando suas contribuições para a formação crítica, investigativa e colaborativa de estudantes da Educação Básica. A ONHB, organizada e coordenada pelo Departamento de História da Universidade de Campinas (UNICAMP) e apoiada pela Associação Nacional de História (ANPUH) proporciona e instiga os estudantes a cultivarem o estudo investigativo, estimulando a pesquisa em contexto escolar. A partir da análise das fases da olimpíada, das tipologias documentais utilizadas e das estratégias de resolução de questões, busca-se, a partir dos diálogos com March Bloch, Paulo Freire, Peter Lee, Maria Auxiliadora Schmidt, Circe Bitencourt, Luís Fernando Cerri, refletir sobre metodologias ativas, consciência e educação histórica e ensino através da investigação histórica. O curso também abordará experiências de escolas públicas, especialmente de contextos das periferias amazônicas, evidenciando como a ONHB amplia horizontes de aprendizagem, democratiza o acesso ao conhecimento histórico e fortalece práticas docentes inovadoras.

Conteúdo Programático:

Módulo 1 – A ONHB: história e experiências no espaço escolar.

a) História e objetivos da ONHB;

b) A ONHB como política de valorização do ensino de História.

c) Estrutura da Olimpíada e suas etapas;

d) Relatos de experiência em escolas públicas;

e) A participação de estudantes do interior e periferias;

f) Impactos da ONHB na formação cidadã e acadêmica.

 

Módulo 2 – Ensino de História e aprendizagem por investigação.

a) Análise de fontes históricas no contexto escolar;

b) Leitura crítica de documentos, imagens e mapas;

c) Construção do pensamento histórico.

Realização e organização:

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